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Anelisa Sangrava Flores
Anelisa Sangrava Flores

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Depois do disparo houve silêncio. Alguns manifestantes gritaram, outros correram. A maioria debandou. Um deles se aproximou na intenção de socorrê-la, mas Anelisa fez um sinal para que se afastasse. Seu sangue escorreu para a terra, infiltrou-se no solo e leves trepidações foram sentidas. Todo tipo de flor começava a brotar do terreno. Elas criaram raízes e se espalharam pelo solo. No início eram apenas flores, mas logo espécies diversas de plantas surgiram. Eram abélias chinesas, acácias imperiais, begônias e trepadeiras. Subiram pelos veículos, enrolaram-se nas pernas dos soldados e infiltraram-se nos canos de armas. Em pouco tempo preencheram lacunas, ocupando o espaço entre dobras e articulações de metal. O cheiro era intenso e o pólen se propagava pelo ar.

Conforme Anelisa sangrava, as flores se espalhavam. Invadiram barricadas, derrubaram barreiras e tomaram o lugar das tropas que se viram forçadas a recuar. Sob o corpo de Anelisa surgiu um conjunto de margaridas gigantes que a ergueram no campo de batalha. O jovem que antes tentara socorrê-la não resistiu ao impulso e correu em sua direção. Apoiando-a em seus braços, gritava por uma ambulância.



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