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Anelisa Sangrava Flores
Anelisa Sangrava Flores

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Eduardo provou a comida, mas seu paladar se tornara insípido após ter levado à boca o melhor dos temperos. Tinha fome, mas não de comida. Era uma fome insubstancial, que mais se assemelhava a sede e a abafação. Era a privação não do alimento, mas de todos os componentes que tornam a vida possível. Ele tinha em si a fome do outro.

Eduardo envelheceu dez anos após a primeira noite com Marialice. Dormira muito pouco, é verdade, porém ao despertar, diante do espelho, viu que se exibiam diante de si, não três, mas quatro décadas de vivência. O formato de seu rosto havia mudado sutilmente, e nas laterais da cabeça, um pouco acima das costeletas, alguns fios de cabelos brancos anunciavam o que seus olhos tentavam deduzir. Um grito brotou de sua garganta, mas Marialice lhe enlaçou a cintura e interrompeu seu desespero. Entreolharam-se pelo espelho. Reparou que o rosto da mulher permanecia inalterado. Antes que dissesse qualquer coisa, ela o impediu com uma carícia.



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